PERFIL

Nome: Clo�

Anivers�rio: 21 de dezembro

Signo: Sagit�rio

Cidade: Ilh�us - Ba

Adoro: Ler, ouvir m�sicas e assistir filmes.

Livros: O amor nos tempos do c�lera (G. G. Marquez); Judas, o obscuro (Thomas Hardy); As Palavras (J. P. Sartre); Germinal (�mile Zola); O Estrangeiro (A. Camus); Cem anos de Solid�o (G.G. Marquez); O pequeno pr�ncipe (S. Exupery); 1984 (George Orwel); O macaco nu (D. Morris); P�ssaros Feridos (Colleen McCullough); A forma da espada (Jorge Luis Borges); entre outros.

M�sicas: � flor da pele, Todo sentimento, Suburbano cora��o, Vitrine (Chico Buarque); El alma al aire (Alejandro Sanz); Mme Buterfly (Puccinni); Noturno, opus 9, n� 2 (Chopin); M�sica para quinteto (Astor Piazzolla).

Filmes: "O piano"; "Sonhos", de Akira Kurozawa; "O paciente Ingles", "O pr�ncipe das mar�s", "Em algum lugar do passado", "Em nome da rosa", "Era uma vez na Am�rica", "Al�m da eternidade", "A dupla face de um crime", "Dr. Givago", "O feiti�o de �quila", "As pontes de Madison".

E-mail: georgiasand@superig.com.br

MSN: georgiasand@msn.com

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14/07/2005 21:40

Sobre os sentimentos nascidos na internet

ESTOU APAIXONADA... E AGORA?

Começa-se sem muitas pretensões, só teclando, só para matar o tempo, num dia de domingo pachorrento, em que não se tem nada de muito interessante prá fazer. Inicia-se com “de onde teclas?”, e depois se sucede um questionário com perguntas básicas, do tipo que não se quer calar, a saber: do gosta de fazer nas horas de folga, que autores prefere, passando-se por se perguntar o verdadeiro nome, já que o nick é muito impessoal, culminando por se pedir o endereço, depois de se haver trocado fotos.
A empatia do primeiro contato às vezes chega a ser tão pungente que situações há em que a pessoa na mesma noite, chega a sonhar com a outra, sonhos intensos, indizíveis, inexplicáveis que beiram o surrealismo, passando a atordoar as idéias. E desperta-se com a roupa encharcada de suor, com taquicardia, prisioneiro de uma ânsia que não se pode aquietar.
Num determinado dia, a pessoa se apercebe de que embora seu dia tenha sido cheio, a lembrança da pessoa esteve presente todo o tempo, e se anseia pelo término do expediente porque se precisa ir correndo para casa, para ligar o computador, e acessar a Internet, porque precisa desesperadamente falar com aquela pessoa, já que ela faz parte de seus dias, de seu universo, enfim, de sua vida. E quanto seu ícone, acompanhado de seu nick se encontra estampado no monitor, seu coração bate mais forte, sua alma vibra!
Agrava-se o processo de apego se a essa convivência se agregam as ferramentas de áudio e vídeo, em que se pode ouvir e ver a pessoa em tempo real. Têm-se a pessoa a trinta centímetros de sua vista, ouve-se suas confidências; do outro lado, faz-se outras tantas, e inadvertidamente você se dá conta de que ainda é capaz de se comover, de que ainda é capaz de sentir desejos que imaginava mortos. Você anseia pela presença da pessoa. A conclusão inevitável a que se chega é que se está irremediavelmente apaixonada por uma pessoa distante, com o oceano Atlântico a separá-los, e que não a pode tocar. E um combate interno se trava em seu íntimo, e você reluta em acreditar que isso esteja acontecendo, rejeita categoricamente essa situação.
Primeiro você diz para si mesma que é amizade, amizade forte, amizade íntima, nunca um amor verdadeiro, porque lhe aterroriza a idéia de estar apaixonada por uma pessoa que se conhece apenas parcialmente. O que você conhece dela é apenas o que ela diz sobre si mesma, não se lhe conhece a família, nem os amigos, nem a forma como a pessoa se relaciona com o mundo. Você é uma pessoa bem informada, assiste a todos os noticiários televisivos e sabe dos riscos a que se está exposto diante de um relacionamento pela Internet, porém a despeito de todos essas objeções, você não consegue mais viver sem relacionar- se com ela.
Impossível admitir que aquela pessoa tão sensível e afetuosa com quem você conversa já há tanto tempo seja capaz de um golpe baixo, quanto mais brincar com seus sentimentos. Inadvertidamente você pergunta para si mesmo, o que torna um amor real mais verdadeiro do que um virtual? Em que pontos o primeiro sobrepuja o segundo? Quantas pessoas convivem com outras diariamente, exaustivamente, e ao final concluem que aquela pessoa com quem partilhava a vida era um completo estranho?
Mas o que vem a ser amor verdadeiro?
Se uma pessoa sente falta de outra, se faz parte de seus dias, se consegue falar com ela particularidades que não teria coragem de dizer a nenhuma outra, se sua voz fica-lhe na memória dos ouvidos, se sua companhia lhe compraz tão intimamente, então que outro nome se pode dar a isso? E pior, se ela não consegue imaginar-se se relacionando com outra porque aquela lhe supre as carências e exigências da vida! Inexoravelmente chega-se a conclusão inequívoca de que se está “num mato sem cachorro”, ou “num beco sem saída”. E agora, o que é que a vida vai fazer de mim?...É a pergunta a que de ordinário se faz de si para si.
Parte-se então para um equacionamento racional do problema, e você argumenta para si mesma que não é razoável estar amando uma pessoa a quem não pode tocar, nem lhe aperceber do cheiro, e nem sequer checar as informações que ela lhe passa. Então, depois de muito racionalizar você delibera que vai se afastar daquela pessoa, que não vai mais acessar o site em que a mesma é encontrada, que não vai mais ligar, e nem atender as chamadas, e fica firme neste intento, porque não é razoável persistir nesse tresvario. Isso, na véspera, porque no dia seguinte a saudade de novo lhe bate à porta e você acaba por ter uma recaída inesperada, e uma compulsão lhe assalta, e como um vício feroz, você precisa estar de novo com a pessoa, senão você enlouquece, porque a essa altura ela já está entranhada em sua alma.
(Continua no próximo capítulo)



enviada por Cloé






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